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E se fossem crianças as vítimas mais frequentes do coronavírus?

Faça uma experiência, caro leitor. Vá à rede social de sua preferência e procure qualquer notícia relacionada ao retorno da educação presencial em Santa Catarina. Verifique os comentários. Percebeu?
A informação publicada pela coluna no sábado, (28) sobre o plano de volta às aulas em etapas no Estado, provavelmente a partir de 13 de outubro, gerou o mesmo padrão de reações: uma esmagadora maioria rejeita a ideia de enviar as crianças à escola. Ao menos por enquanto.
“Acho que o momento não é de liberar as crianças para as aulas, não tem como. Meus filhos não vão e ponto”, escreveu uma mãe. “A vida das crianças é mais importante do que um ano letivo, basta um contaminado para contaminar outros, depois os familiares, e assim por diante”, opinou outra.

Uma minoria de manifestações, no post citado, defendeu o retorno às atividades. Cada uma delas foi respondida por mais de uma dezena de pessoas contrariadas.
Não há paralelo com qualquer outra atividade ou grupo da população. Shoppings centers, igrejas, restaurantes, bares, lojas, academias e salões de beleza funcionam com o apoio de grande parte dos catarinenses. Em Blumenau, quando o prefeito proibiu idosos de usar ônibus, teve de enfrentar uma saraivada de críticas e até uma batalha judicial para fazer valer a regra preventiva.

A pandemia de Covid-19 escancara o valor que se dá aos velhos. Ou às pessoas fragilizadas por doenças como diabetes, hipertensão e câncer. Estas podem submeter-se à roleta russa do vírus. Se terminarem na parcela de 1% (ou menos) que não resistem ao sofrimento físico, lamenta-se a perda e bola pra frente. Não se pode condenar toda uma sociedade para salvar quem “morreria de qualquer jeito”.
Mas e se fossem as crianças? Ou mulheres grávidas, como na gripe do H1N1, que era menos transmissível e letal? Uma coisa é certa: nossas comunidades estariam mais coesas e focadas em enfrentar o inimigo comum. Haveria menor espaço para negacionismo, oportunismo político e falsas dicotomias do tipo economia versus saúde.

Quanto às aulas presenciais, o retorno embute enormes riscos. Às crianças, sim, mas principalmente a professores e familiares dos alunos. Crianças assintomáticas levam o vírus para dentro das casas onde estão as pessoas mais vulneráveis a ele. Ou seja, mesmo sem querer, quem defende o fechamento das escolas preocupado com os filhos protege também os velhos e doentes.
Mas e se a vacina não vier tão cedo? Até quando será tolerável a indústria de desigualdade potencializada pelas aulas online? É um efeito colateral da pandemia menos tangível que empregos e faturamento em queda. Mas não menos danoso ao futuro de todos.

Esse debate não pode ser interditado pelo medo.

FONTE: NSCTOTAL

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