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Brasileirão 2020 tem 68% mais paradas para uso do VAR em comparação com a edição de 2019

Aumenta em 23% o número de vezes em que a decisão inicial da arbitragem de campo foi alterada após paralisação do jogo para consulta ao VAR, de 26 em 2019 para 32 em 2020

Considerados os primeiros 54 jogos disputados no Brasileirão, houve em 2020 um acréscimo de 68% no número de vezes em que as partidas foram paralisadas para consulta do VAR na comparação com o ano passado (de 84 paralisações de jogo em 2019 para 141 paralisações em 2020). O tempo médio consumido por essas paralisações cresceu apenas 3% (de 1min40s para 1min43s), mas o crescimento das intervenções, houve um crescimento de 74% no total de tempo parado para consulta ao videoárbitro (de 139 minutos no ano passado para 242 minutos neste ano).

Com uma lupa maior sobre a arbitragem, no Brasileirão 2020 houve também um crescimento no número de vezes em que os árbitros mudaram as decisões iniciais de campo. No ano passado, em 54 jogos foram mudadas 26 decisões e neste ano, foram alteradas 32 decisões, alta de 23%. O maior crescimento está nos lances em que a decisão inicial do árbitro foi mantida após a paralisação do VAR (de 58 paralisações passou para 109, alta de 88%).

  • Está muito claro para mim que o árbitro de campo não está bem preparado, ele está dependente da ferramenta do VAR. O árbitro brasileiro perdeu o conceito do que é falta. O mesmo árbitro que apitava os jogos sem o VAR e tinha um ótimo conceito sobre o que era e não era falta, hoje não tem mais. O posicionamento, a mecânica de arbitragem, a forma de apitar o jogo… A cartilha foi abandonada em detrimento da ferramenta. Me parece que a CBF capacitou e treinou muito mais só para o VAR. Vale destacar que a CBF não forma árbitro. Quem forma árbitro são as federações. A CBF só aperfeiçoa. E as horas de treinamento para o vídeo foram muito maiores do que as horas para treinamento de campo de jogo. Na Série B vejo árbitros apitando bem. Na Série A deixam de marcar faltas. Neste fim de semana teve uma entrada do Nino Paraíba no Lucas Luma que não tem como o árbitro não ver. Não marcou falta, não deu amarelo, mas era uma jogada para cartão vermelho. É um erro muito grave de um árbitro Fifa (Bruno Arleu de Araújo) – afirmou o comentarista de arbitragem do esporte da Globo Sálvio Spinola.
  • O número de mudanças de decisão por erros claros é uma das formas para avaliar o desempenho da arbitragem. Este ano, temos seis mudanças de decisão por rodada (ano passado, eram cinco). É um número alto quando comparado a padrões internacionais (três mudanças a cada dez jogos). A paralisação por conta da pandemia atrapalhou bastante o ritmo dos árbitros e também dos jogadores, que estão fazendo mais faltas, por exemplo. O VAR precisa ainda de alguns ajustes no que diz respeito a critério de chamada do árbitro. Mas isso não é só no Brasil, mas no mundo inteiro. A origem dos erros no Brasileirão não está no VAR, mas na falta de treinamento contínuo para os árbitros. Afinal, o VAR ganha outra dimensão quando o árbitro erra no campo. Não se pode exigir excelência de quem não treina diariamente no campo de jogo. Enquanto essa realidade da arbitragem brasileira não mudar, as consequências serão sentidas em campo. Reclamar quando acontece o erro é jogar para a torcida – afirmou o comentarista de arbitragem do esporte da Globo Sandro Meira Ricci.

FONTE: GE

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